:: 12/NOV/07 - ENTREVISTA DO MOTOROCKER P/ O HAGAH
Por: Geziane de Mattos Diosti
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“Podemos marcar a entrevista sim, o que você acha as 19h30 lá no John Bull no dia 10? Neste horário teremos passado som já (tomara, heheh) e aí podemos sentar tranqüilos e trocar uma idéia ok?”

Mais que confirmado! Respondemos o e-mail e lá estávamos. Os meninos estavam guardando os instrumentos e aos poucos foram se apresentando. “Podemos fazer a entrevista lá no camarim, pode ser?”. E lá fomos nós.

“Tá vendo esse negócio aqui, ó? Uuuii... é uma frieira no meu pé. Dá pra tirar uma foto? Tira aí!”, disse Marcellus, o vocalista da banda. E foi nessa descontração que a entrevista seguiu.

Eles vivem o rock´n´roll a todo o momento. São alegres, brincalhões, não levam o futebol tão a sério e não saem muito - o lugar mais tradicional da banda inteira é o Largo da Ordem. Não compram roupas, só ganham (durante a entrevista dois dos componentes da banda estavam com camisetas de uma rádio da cidade), “e quando a gente compra vai só nas Americanas comprar aquelas camisetas brancas, sabe?”, revela Silvio. Falam o que pensam, palavrão nem é mais palavrão e estão sempre dispostos a fazer o melhor show para o melhor público que existe: o deles. “São f... (é aquela palavra mesmo que você está pensando). Sério, são os melhores fãs do mundo, cara!”

Para quem pensa que roqueiro é louco, tem um estilo estranho e são pessoas más, eles contestam. “A gente não faz mal a ninguém. A gente só não quis trabalhar e ir pra escola. Tirando a feiúra, somos pessoas boas (risos)”. Segundo Marcelus, o Motorocker tramita entre o sagrado e o profano.

A formação original do grupo existe desde 1999 (Marcelus no vocal, Luciano e Thomas na guitarra, Silvio no baixo e Juan na bateria), mas muitos já passaram pela banda. “Foi difícil chegar a esse resultado final, mas alguma coisa nesse universo uniu a gente na hora certa, no lugar certo”, conta Marcelus.

Desde 1987, o vocalista fazia músicas próprias e uma dessas idéias está no disco que lançaram, intitulado Igreja Universal do Reino do Rock – IURR. Contam que não tinham espaço e ninguém acreditava no trabalho. Em 1993 surgiu a idéia de fazer um show em tributo ao AC/DC e a surpresa foi grande: “Encheu o show! A própria banda duvidava que tivesse tantos admiradores”. O AC/DC reconheceu o grupo, mais tarde, como a melhor banda-tributo que ouviram até então. Marcelus confessa que, além de “colocar pra fora esse negócio que a gente tem na veia, que é rock´n´roll mesmo”, a banda aproveitou e começou a conseguir “algumas gatinhas a mais também (risos)”.

A rotina da banda se resume a ensaios e algumas saídas para ´encher a cara´. “A gente vai no Cobras. Só dá bêbado lá! Outro lugar que a gente gosta é o Come Come, o Costelão Curitibano, na Chile, e o Gato Preto, que tem a melhor costela da madrugada. Às vezes a gente canta lá também e faz outras coisas... (risos)”, revela o vocalista. Para uma pizza, a dica é a Di Pizza. “Ah, a gente também vai comer numa lanchonetezinha que tem ali na Tiradentes, numa galeria que você passa por baixo, sabe?! Você come um X-salada, uma coca, uma esfirra, três quibes e dois pastéis por R$ 5 e sobra troco ainda ... ah, vem uma batatinha junto”, lembra Luciano.

O Motorocker toca no Brasil inteiro, mas devido aos altos custos de viagem se torna inviável a realização de shows em lugares mais longes. “Vamos pra Minas Gerais agora e era pra gente ir até mais longe, mas não temos apoio. Somos uma banda independente. Então, a gente fica meio limitado a RS, SC, PR, SP, MG”, contam.

Em Curitiba, o grupo costuma tocar no Hangar, no John Bull, no Ópera 1 e no Sistema X. “Ah, tá pra gente ir pra Argentina esse ano, aí a gente já vai e aproveita pra fazer compras. O cachê já fica lá tudo em porcaria. (risos). A gente passa naquelas barraca bem podre e enche a sacola.”, acrescenta Luciano.

A inspiração para as letras das músicas vem do dia-a-dia. “A gente se inspira no cotidiano, na vida que a gente vive. Você imagine só: existem igrejas pra tudo hoje. Tem até igreja satanista, igreja pra viado... tá um inferno esse troço. Então a gente descreveu a congregação dos nossos sonhos. “Costelada, frango assado e churrascão / Muita cerveja pra encher a cara / Se é certo estar feliz então aqui é o lugar / Por que eu preciso aproveitar a vida / Necessito de um lugar que tenha rock, mulher fácil e bebida”, conta Marcelus. Ele também explica que principalmente a última frase resume a banda. “Aí, nessa frase, você pega o cotidiano da banda. Aí você começa a entender essa frase, ´mulher fácil´. Imagine mulher difícil com gente feia, do jeito que a gente é!? Nós, feio e pobre? Não tem como.”

Ouvir que um fã faz tatuagens no corpo já é uma demonstração de devoção. E o que dizer de guardar o suor do ídolo? “Geralmente uso uma camiseta até apodrecer”, conta Marcelus. “Aí, depois de um show que a gente fez há alguns anos, a camiseta já tava feia demais e eu fui jogar no lixo. De repente chega um piá e fala: ô cara, dá essa camiseta pra mim? Eu falei: não, tá louco? Tá fedorenta! Mas ele insistiu e falou que queria. Saiu e levou a camiseta todo feliz. Depois de três anos a gente achou o cara na praia. Ele cortou a estampa da camiseta e colocou numa outra nova. Diz um amigo dele que ele pegou o suor da camiseta, torceu, colocou num vidro e tá guardada! Os nossos fãs são f...!”

Pronto. “Acabou?”, perguntam. “Sim”, respondemos. “Então uma salva de palmas para nós”.

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